Falar sobre emoções na infância e na adolescência é fundamental. Em um mundo cada vez mais conectado e veloz, criar espaços seguros onde os estudantes se sintam confortáveis para expor suas angústias, dúvidas e descobertas é um compromisso diário. Durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a saúde mental, esse debate ganha ainda mais relevância nas comunidades escolares.
Na Escola Mais, entender o que os alunos sentem é o nosso objetivo o ano inteiro. O cuidado com o bem-estar socioemocional faz parte da rotina pedagógica e da convivência cotidiana.
Sem tabus: conversa aberta e proximidade na prática
Assuntos complexos como bullying, ansiedade, aceitação e saúde mental precisam ser nomeados com clareza. Quando a escola trata esses temas de forma natural, os estudantes aprendem a identificar o que sentem e a pedir ajuda quando necessário.
“Buscamos trabalhar esses temas. Falar sobre saúde mental é essencial para o desenvolvimento de crianças e jovens saudáveis. Não levamos como um tabu, e a proximidade que temos com as famílias e com os estudantes facilita ainda mais essa troca sobre esses temas considerados sensíveis para muitos “, destaca Ana Paula Maccafani, diretora pedagógica da Escola Mais.
Essa proximidade se reflete nas mentorias individuais e coletivas, onde os alunos encontram escuta qualificada sem julgamentos.
A parceria entre família e escola
O acompanhamento emocional eficaz não acontece de forma isolada. A base da saúde mental infantil e juvenil é construída na convivência familiar, cabendo à instituição de ensino atuar como um elo de apoio, continuidade e fortalecimento dessa estrutura.
“Temos clareza de que o afeto primário vem de casa. A escola entra como uma extensão técnica, com processos definidos e equipes treinadas para lidar com qualquer situação com rapidez e segurança”, reforça Ana Paula.
Quando a família e a escola mantém canais de comunicação abertos e transparentes, fica mais fácil identificar mudanças sutis de comportamento e intervir preventivamente.
Protocolos reais e espaço para a diversidade
Para que um jovem se sinta seguro para se expressar, o ambiente precisa respeitar a sua individualidade. A infância e a adolescência são fases de descobertas, e a escola deve garantir os limites necessários para a convivência sem sufocar a identidade de cada aluno.
“Temos que ter protocolos para reagir a tudo. Hoje os alunos são mais livres para se expressar e se descobrir, do que na época em que eu estava na escola, quando tudo era mais engessado. Acredito que essa liberdade é primordial, a escola tem que ser um ambiente seguro e acolher o diferente e deixar espaço para que todos se expressem com confiança”, conclui a diretora.
Proteger a saúde mental na escola significa estruturar processos claros de acolhimento, treinar as equipes gestoras para saber agir diante de qualquer ocorrência e, acima de tudo, garantir um espaço onde cada estudante seja ouvido e respeitado todos os dias do ano.